OAB na Escola lota teatro em debate sobre mundo digital

Projeto da 6ª Subseção reúne estudantes e educadores em Guaçuí

O Teatro Municipal Fernando Torres ficou lotado na manhã desta quarta-feira (26) para mais uma edição do projeto OAB na Escola, iniciativa da 6ª Subseção da OAB-ES voltada à formação cidadã de crianças e adolescentes. Estudantes, professores e gestores de escolas de Guaçuí participaram de uma palestra sobre prevenção, cidadania e responsabilidade digital, em uma programação construída para discutir riscos que deixaram de estar restritos às ruas e passaram a acompanhar os jovens também no uso cotidiano de celulares, redes sociais e outras plataformas digitais.

O encontro teve início às 8h e foi direcionado a alunos do 6º ao 9º ano. A programação terá uma segunda sessão ainda nesta quarta-feira, às 13h30, no mesmo local, destinada ao público do turno vespertino. A realização é conjunta da OAB Guaçuí e da Secretaria Municipal de Educação e procura combinar orientação jurídica, educação preventiva e informação sobre comportamento seguro no ambiente digital.

A palestra da manhã foi conduzida por Eduardo Pinheiro Monteiro, especialista em internet, segurança da informação e crimes virtuais. Bacharel em Direito e graduado em Gestão da Tecnologia da Informação, ele possui pós-graduação em Direito Eletrônico e MBA em Investigação Criminal com ênfase em crimes virtuais. Entre outras experiências, fundou o Núcleo de Repressão aos Crimes Eletrônicos, atuou como chefe de investigação na Delegacia de Crimes Eletrônicos e representou a Polícia Civil do Espírito Santo em conferências internacionais sobre criminalidade cibernética.

A presença de um especialista com trajetória simultaneamente jurídica, policial e tecnológica está diretamente ligada à natureza do tema. A proposta da atividade é discutir não apenas ferramentas de segurança digital, mas a responsabilidade que acompanha o uso da internet, os limites das condutas praticadas nas redes e a necessidade de reconhecer riscos antes que situações virtuais produzam consequências concretas para estudantes, famílias e escolas. O próprio convite para o evento sintetizou essa mudança ao observar que, se antes a preocupação principal estava na segurança de crianças e adolescentes nas ruas, hoje ela também precisa alcançar o uso das telas.

Representando a 6ª Subseção esteve presente a vice-presidente Flávia Vieira de Paula, coordenadora do OAB na Escola. A advogada vem conduzindo as articulações que ampliaram o alcance do projeto e aproximaram a Ordem de instituições de ensino e outros órgãos públicos. Em avaliação anterior sobre a iniciativa, Flávia definiu o programa como “um dos projetos mais transformadores” da Subseção por levar às escolas educação cidadã, prevenção, direitos fundamentais e noções de Justiça.

A estratégia adotada pelo projeto parte do entendimento de que a informação precisa ser transmitida em linguagem compatível com a idade dos estudantes. “Aprendemos que a linguagem precisa ser adequada à idade dos estudantes e que informação bem transmitida tem um poder preventivo enorme”, afirmou Flávia ao explicar, em publicação anterior, a experiência acumulada pela 6ª Subseção em ações educativas. A lotação registrada no Teatro Fernando Torres nesta manhã acrescenta uma nova dimensão a essa política de aproximação com o público escolar.

O tema da responsabilidade digital não aparece pela primeira vez na agenda do OAB na Escola. A iniciativa já levou para instituições de ensino debates sobre cidadania, segurança digital, bullying, prevenção à violência sexual contra crianças e adolescentes, violência contra a mulher, drogas, diversidade, respeito ao próximo e limites da liberdade de expressão na internet. As ações são desenvolvidas com o apoio de diferentes parceiros, entre eles Secretarias de Educação, diretores, pedagogos, Polícia Civil, Conselhos Tutelares e, em algumas oportunidades, o Ministério Público.

Essa experiência ganhou maior visibilidade em junho do ano passado, quando a Subseção e a Polícia Civil realizaram a primeira Semana Municipal de Prevenção às Drogas de Guaçuí. Na ocasião, estudantes participaram de atividades que também abordaram bullying, comportamento digital, relações interpessoais e direitos humanos. A programação combinou o projeto Papo de Responsa, voltado aos adolescentes, com o Agente Canino nas Escolas para as crianças menores.

Para o presidente da 6ª Subseção, Luiz Bernard Sardenberg Moulin, esse trabalho representa uma escolha institucional de investir na formação das novas gerações. Em declaração publicada anteriormente pela revista Advocacia Caparaó, ele afirmou que o projeto é motivo de orgulho para a Ordem porque permite orientar crianças, adolescentes e jovens sobre questões que enfrentam diariamente, “principalmente no mundo digital”.

A presença da OAB nesse tipo de atividade amplia a atuação tradicional da instituição. Em vez de aparecer apenas quando já existe um conflito jurídico, a Subseção procura atuar antes dele, oferecendo informações que possam ajudar estudantes a reconhecerem comportamentos de risco, compreender direitos e deveres e tomar decisões mais seguras. É uma lógica preventiva particularmente relevante no ambiente digital, onde episódios de exposição indevida, assédio, bullying, golpes e outras formas de violência podem se espalhar rapidamente e alcançar consequências fora das telas.

A iniciativa tem ainda uma dimensão regional. A 6ª Subseção representa a advocacia de Guaçuí, Dores do Rio Preto, Apiacá, Bom Jesus do Norte, Divino de São Lourenço e São José do Calçado, e o projeto já começou a alcançar outros municípios de sua área de abrangência. Segundo Flávia Vieira de Paula, a intenção é continuar ampliando as atividades, incorporar novos temas, produzir materiais próprios e criar ações voltadas também aos responsáveis pelos estudantes.

A segunda palestra desta quarta-feira, marcada para as 13h30, dará continuidade ao trabalho realizado pela manhã. A expectativa da organização é receber novamente estudantes, professores e gestores no Teatro Municipal Fernando Torres. Depois de uma primeira sessão com casa cheia, o encontro vespertino reforçará a mensagem de que formar cidadãos no século XXI também significa ensinar crianças e adolescentes a compreender direitos, responsabilidades e riscos no espaço digital.