Nesta quinta-feira (1/10), o TRT da 2ª Região (TRT-2) empossou os(as) novos(as) dirigentes que estarão à frente do maior tribunal trabalhista do país no biênio 2026-2028. Transmitida ao vivo pelo YouTube, a cerimônia de posse ocorreu no Sesc 14 Bis, na região central de São Paulo, reunindo autoridades, convidados(as), amigos(as) e familiares das pessoas empossadas. O álbum de fotos será publicado nesta notícia assim que disponível.
A desembargadora Sueli Tomé da Ponte assumiu a Presidência do Regional, tornando-se a 37ª pessoa, a 7ª mulher e a 1ª magistrada de ascendência nipônica a ocupar o cargo na história da instituição. Com mais de 34 anos dedicados à judicatura no TRT-2 e a experiência de ter exercido os cargos de ouvidora e corregedora, a magistrada definiu a postura de sua gestão ao declarar que “a cadeira não é um prêmio individual. É um posto de serviço”. Ao afirmar que “assume a missão cercada de gratidão e de confiança”, ressaltou o compromisso de conduzir o Tribunal com diálogo, equilíbrio e convicção de que a autoridade pública só encontra sentido real quando colocada a serviço da sociedade.
A cerimônia empossou também os demais integrantes do Corpo Diretivo: desembargador Ricardo Verta Luduvice como vice-presidente administrativo, desembargador Davi Furtado Meirelles como vice-presidente judicial e desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto como corregedor regional.
Diretrizes da gestão
Filha de imigrantes japoneses e relacionando a trajetória da família ao conceito de que cada litígio representa uma “travessia”, a presidente defendeu a celeridade processual aliada à profunda sensibilidade humana. Inspirando-se nos versos do poeta Guilherme de Almeida, sustentou que “no Judiciário, adiar é quase sempre uma forma discreta de negar”, exortando a magistratura a valorizar o tempo presente. A desembargadora destacou que a busca por produtividade não pode desumanizar a Justiça, lembrando que “por trás de cada processo, há uma história humana com nome, endereço e uma família esperando” e que “o processo trabalhista é, muitas vezes, a única página em que essa biografia é finalmente escrita e lida por alguém”.
Sobre as inovações e a Inteligência Artificial (IA) no Judiciário, Sueli Tomé da Ponte apontou a tecnologia como um vetor importante para conferir agilidade, eficiência e acessibilidade à prestação jurisdicional, desde que observados rígidos limites éticos. “A inteligência artificial é ferramenta de apoio. Não substitui a responsabilidade humana, sobretudo em decisões que tocam direitos, garantias e a vida das pessoas”, ponderou. Reforçando que “nenhum sistema tecnológico substitui o compromisso humano”, a empossada estabeleceu como diretriz fundamental o dever de “utilizar a tecnologia como instrumento a serviço das pessoas e nunca permitir que as pessoas se tornem instrumento da tecnologia”.
Para o biênio, a presidente estruturou sua administração sobre os eixos de eficiência, inovação, valorização das pessoas, aproximação com a sociedade, conciliação e defesa intransigente da independência judicial.
Exaltou a “conciliação como cultura, não como meta”, frisando que a solução consensual constrói a verdadeira pacificação social. Além disso, reafirmou a imparcialidade e a relevância da instituição ao assinalar que “a Justiça do Trabalho não é Justiça contra o empregador. Não é Justiça contra a empresa. Não é Justiça contra o trabalhador. É Justiça para todos”.
Por fim, encerrou o discurso comprometendo-se a atuar como uma “presidente presente” em todas as varas e gabinetes e convocando o Tribunal à ação imediata: “Que o nosso tempo seja o agora. E agora, começamos”.
Despedida
Ao concluir sua gestão à frente do TRT-2 no biênio 2024-2026, o desembargador Valdir Florindo destacou a postura de escuta atenta e o compromisso permanente com a jurisdição trabalhista. Sintetizando a conduta de seu mandato, afirmou que “a vida é um desafio e o que ela quer da gente é coragem”, ressaltando o foco no impacto positivo na vida dos cidadãos e cidadãs ao declarar: “Tenho disposição para prosseguir trabalhando e estou aqui para servir e não para ser servido”.
Reafirmando o papel institucional do ramo especializado, o magistrado definiu a Justiça do Trabalho como “um símbolo de entrega da justiça social”, argumentando que políticas adequadas de proteção jurídica produzem “maior remuneração e garantias sociais, resultando em melhor condição de desenvolvimento econômico”.
Para a gestão seguinte, os resultados e iniciativas implementadas em seu mandato foram reconhecidos pela Presidência empossada como uma base sólida desenvolvida para dar continuidade às ações bem-sucedidas, permitir o aperfeiçoamento de rotinas e embasar outras inovações. Além disso, a defesa da Justiça do Trabalho como instituição indispensável ao estado democrático de direito permanece como diretriz para o novo biênio.
Demais cargos
Também tomaram posse na solenidade os nomes eleitos para a Ouvidoria, a Vice-Ouvidoria, o Órgão Especial e Conselho Consultivo da Escola Judicial da 2ª Região (Ejud-2). Foram empossadas as desembargadoras Sônia Maria Forster do Amaral, como ouvidora, e Cândida Alves Leão, como vice-ouvidora. Os desembargadores Homero Batista Mateus da Silva e Paulo Eduardo Vieira de Oliveira tomaram posse como diretor e vice-diretor da Ejud-2, respectivamente. As desembargadoras Maria Isabel Cueva Moraes e Catarina von Zuben, o juiz titular Mauricio Pereira Simões e a juíza substituta Lin Ye Lin tomaram posse como membros do conselho da Escola.
Composição da mesa
Também estiveram presentes no evento, formando a mesa diretora, o ministro-aposentado do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski; a ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Delaíde Alves Miranda Arantes, que representou a presidência da Corte e a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho; os ministros do TST Douglas Alencar Rodrigues, Amaury Rodrigues Pinto Júnior, Morgana de Almeida Richa e Sergio Pinto Martins; o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, desembargador Francisco Eduardo Loureiro; o presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, desembargador federal Luiz Antônio Johonsom di Salvo; o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, desembargador José Antônio Encinas Manfré; a comandante-geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, coronel PM Glaucia Anselmo Cavali; a procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho da 2ª Região, Vera Lúcia Carlos; e a vice-presidente da OAB São Paulo, Daniela Magalhães.














