Coleprecor debate novas tecnologias, distribuição de processos e gestão da Justiça do Trabalho

Novas formas de distribuição de processos, ferramentas de inteligência artificial e mecanismos de controle e gestão foram alguns dos temas apresentados durante a 7ª Reunião Ordinária de 2026 do Colégio de Presidentes(as) e Corregedores(as) dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor), realizada nos dias 21 e 22 de setembro no TRT da 1ª Região (RJ). As experiências compartilhadas entre os regionais incluem soluções que podem repercutir diretamente na tramitação dos processos e no atendimento a partes e advogados(as). Durante o evento, o desembargador-presidente do TRT-2, Valdir Florindo, lançou obra de sua autoria.

Um dos projetos apresentados no Coleprecor foi o Equaliza, desenvolvido pelo TRT-1 para equilibrar a distribuição de novos processos entre varas do trabalho. A ferramenta considera o volume acumulado de distribuição de cada unidade nos três anos anteriores e direciona os novos processos para reduzir gradualmente as diferenças entre as secretarias. A iniciativa está inicialmente voltada aos processos do Juízo 100% Digital.

O sistema não transfere processos já distribuídos. Uma vez encaminhada a ação para determinada vara, ela permanece naquela unidade durante toda a tramitação, inclusive na fase de execução. A ferramenta também não altera a competência territorial nem exige deslocamento de magistrados(as), servidores(as) ou advogados(as). Para atos presenciais eventualmente necessários, como perícias ou oitiva de testemunhas, podem ser utilizados mecanismos de cooperação judiciária.

Tecnologia e inteligência artificial

A modernização tecnológica também esteve entre os assuntos discutidos. O TRT da 4ª Região (RS) apresentou o Galileu, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida para auxiliar julgadores(as) e equipes de gabinete na análise de processos e elaboração de minutas.

Entre os recursos estão elaboração de minutas de embargos de declaração, geração automática do dispositivo, pesquisa de julgados e revisão de textos. A ferramenta também permite identificar os documentos utilizados e o caminho percorrido para a elaboração do conteúdo, possibilitando a conferência humana das informações produzidas.

O sistema conta ainda com mecanismos de segurança para identificar tentativas de prompt injection, nas quais comandos inseridos em documentos podem tentar interferir na resposta da inteligência artificial.

Controle e gestão

Outro projeto abordado no encontro foi o FocaWeb – Folha Continuamente Auditada, do TRT da 8ª Região (PA/AP). A ferramenta utiliza análise automatizada de dados para identificar situações que possam exigir verificação das equipes de auditoria, como pagamentos fora do padrão histórico e inconsistências em itens da folha. Entre os próximos passos, estão a ampliação dos indicadores e do detector de anomalias e o compartilhamento da ferramenta com outros regionais.

A sustentabilidade também esteve na pauta. O conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e desembargador do TRT da 7ª Região (CE), Paulo Régis Machado Botelho, apresentou indicadores utilizados para acompanhar o desempenho socioambiental dos tribunais. O levantamento considera, entre outros aspectos, consumo, energia, frota, contratos e emissões de carbono, além de critérios relacionados a gênero, raça, deficiência, equidade e diversidade. Durante a reunião, o TRT-7 também compartilhou a experiência de contratação remunerada de associações de catadores para a coleta de materiais recicláveis, em atendimento à Recomendação nº 169 do CNJ.

Livro reúne experiências do presidente do TRT-2

A programação da 7ª Reunião Ordinária também contou com o lançamento da obra “Palavras do Presidente”, de autoria do presidente do TRT-2, desembargador Valdir Florindo. A publicação reúne discursos, experiências e reflexões relacionadas à trajetória do magistrado, incluindo temas como pejotização, uberização e trabalho em plataformas digitais.

Ao apresentar a experiência de organização do material aos integrantes do Coleprecor, Valdir Florindo mencionou as diretrizes de gestão documental do Judiciário, previstas, entre outras normas, na Resolução CNJ nº 324/2020. O presidente destacou a importância do registro e da preservação das experiências das administrações dos tribunais como parte da documentação da história institucional.