Supremo garante horas extras a policiais penais de Santa Catarina

São inconstitucionais os dispositivos da Lei Complementar estadual 774/2021, de Santa Catarina, que impediam o pagamento de horas extras a policiais penais que trabalham além da jornada legal por necessidade da administração e não recebem a compensação em folgas no prazo previsto em lei, uma vez que a Constituição protege a remuneração do serviço extraordinário.

FreepikCorte autorizou pagamento quando policiais trabalharem além da jornada legal

Com esse entendimento, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quarta-feira (21/10), por unanimidade, assegurar aos agentes catarinenses o recebimento de horas extras quando trabalharem além da jornada e não obtiverem a folga correspondente.

Todos os magistrados que participaram do julgamento acompanharam o relator, ministro Edson Fachin. O ministro Alexandre de Moraes, que havia pedido vista, aderiu integralmente ao voto na retomada da análise.

Subsídio e trabalho adicional

A discussão ocorreu na ADI 7.469, apresentada pela Associação dos Policiais Penais do Brasil contra dispositivos da lei de Santa Catarina. A controvérsia foi gerada pela proibição de pagamento adicional mesmo com a extrapolação da jornada semanal de 40 horas. 

A norma incluiu a antiga gratificação por serviço extraordinário entre as verbas absorvidas pelo subsídio e proibiu a criação de vantagens com o mesmo fundamento. E também estabeleceu que, quando o servidor cumprir oito plantões no mês, o oitavo deverá ser compensado integralmente com descanso nos três meses seguintes. 

Para Fachin, a parcela única não elimina a possibilidade de remunerar atividades extraordinárias. A compensação com descanso pode ser mantida, mas, se não ocorrer no prazo, o servidor deve receber pelo trabalho excedente.

Alexandre acrescentou que a Constituição protege a remuneração do serviço extraordinário e apontou que a falta de pessoal pode dificultar a concessão das folgas.

O colegiado acolheu parcialmente a ação e declarou a inconstitucionalidade sem redução de texto dos dispositivos questionados — os ministros preservaram sua redação, mas excluíram a interpretação que impediria o pagamento nessas circunstâncias.

ADI 7.469

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