A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz e as sanções impostas pelos Estados Unidos ao petróleo russo desorganizaram o mercado global da matéria-prima no último ano. É o que aponta, em vídeo, o BRICS+ New Economy & Legal Infrastructure Center (NeLi), centro de pesquisa responsável pela infraestrutura jurídica e econômica do Brics+.
Fotos PúblicasEstreito de Ormuz tem circulação restrita desde o último mês de fevereiro
Na gravação, o NeLi destaca que um quinto do petróleo mundial passa pelo estreito, localizado entre os Golfos Pérsico e de Omã e afetado por uma crise que “virou o mercado de cabeça para baixo”. Na sequência, informa que as sanções contra a Rússia, anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em outubro do ano passado, empurraram o petróleo russo para fora do mercado e “impactaram profundamente” o fornecimento do produto a diversos países.
“As sanções ao petróleo russo, incluindo o teto de preço e as restrições a navios-tanque e a seguros, já haviam desorganizado o fornecimento de um dos maiores produtores do mundo”, divulgou o centro. Mais recentemente, acrescentou o NeLi, em 18 de setembro, Trump assinou a Lei Graham, que prevê tarifas de até 100% sobre produtos importados dos cinco maiores compradores de petróleo e gás russos, principalmente a Índia e a China.
Pressão externa
A aplicação de tarifas e sanções previstas na Lei Graham foi suspensa por Trump neste mês, dias antes de entrar em vigor, com a alegação de que o adiamento era de interesse nacional dos EUA. “Trump assinou a lei, mas a decisão de impor ou não as tarifas cabe, em última instância, a ele”, ressaltou o NeLi.
Para Ajay Srivastava, fundador do centro de pesquisa indiano Global Trade Research Initiative, os Estados Unidos pretendiam usar a ameaça de tarifas elevadas para pressionar a Índia a parar de comprar petróleo da Rússia e a assinar um acordo comercial “profundamente desigual com os EUA”.
“A Índia não deve fazer nem uma coisa, nem outra”, afirma Srivastava no vídeo. “A Índia comprava cerca de 60% do seu petróleo dos países do Golfo. Agora, com o fornecimento do Golfo em grande parte interrompido, a Rússia se tornou a maior fornecedora de petróleo para a Índia. Em julho deste ano, compramos mais da metade do nosso petróleo da Rússia. Portanto, a Índia deve continuar comprando petróleo russo e ignorar todas as ameaças dos EUA.”
Impacto econômico significativo
A gravação divulgada pelo centro traz ainda uma declaração dada em agosto por Amin H. Nasser, presidente e CEO da Saudi Aramco, gigante estatal petrolífera da Arábia Saudita. Segundo ele, os movimentos geopolíticos protagonizados pelos EUA tiveram um “impacto significativo sobre os mercados de petróleo como um todo”.
“O fechamento do Estreito de Ormuz provocou a maior crise do petróleo da história. Desde o início da crise, os mercados globais perderam mais de 2,6 bilhões de barris de petróleo. Cerca de um terço das matérias-primas do mundo usadas na produção de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz. Se a crise continuar no ritmo atual, espera-se que o impacto sobre a economia global e a segurança alimentar seja bastante significativo”, afirmou Nasser.
Clique aqui para assistir ao vídeo ou veja abaixo:
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