Nutrição e saúde feminina marcam palestra na OAB

Evento do “Outubro Rosa” abordou a relação entre alimentação, estilo de vida e fatores associados ao câncer de mama

A relação entre alimentação, hábitos de vida e prevenção do câncer de mama foi o tema de uma palestra realizada na tarde desta quinta-feira (29), na sede da 6ª Subseção da OAB-ES, em Guaçuí. Promovido pela Comissão da Mulher Advogada (CMA), o encontro integrou a programação institucional do “Outubro Rosa” e reuniu participantes para uma discussão sobre fatores de risco, nutrição e cuidados com a saúde feminina. A atividade, iniciada às 16h, foi conduzida pela nutricionista Virgília Oliveira Pani, mestre em Nutrição e Saúde pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), e representou mais uma iniciativa da Ordem destinada a ampliar o acesso à informação e à conscientização sobre uma das doenças de maior incidência entre as mulheres brasileiras.

A abertura da programação foi conduzida pela advogada Milena Villas-Bôas Deps, presidente da Comissão da Mulher Advogada da 6ª Subseção. Em sua manifestação, ela destacou a importância de promover atividades que ultrapassem as questões diretamente relacionadas ao exercício profissional e alcancem as necessidades de saúde e bem-estar das mulheres. “Como presidente da Comissão da Mulher Advogada, acredito que também é nosso papel olhar para além da nossa atuação profissional e promover espaços de informação, acolhimento e cuidado com a saúde e o bem-estar das mulheres”, destacou.

Milena também chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas por mulheres que precisam conciliar diferentes responsabilidades profissionais, familiares e pessoais. Na avaliação da presidente da CMA, a intensidade dessas atividades frequentemente faz com que o cuidado com a própria saúde seja colocado em segundo plano. “Nós, mulheres, muitas vezes estamos tão dedicadas à nossa rotina, ao trabalho e às responsabilidades do dia a dia, que acabamos deixando o cuidado conosco em segundo plano. E momentos como este nos lembram da importância de olhar para nós mesmas, de nos priorizarmos e de estarmos atentas à nossa saúde”, observou, ao agradecer a presença das participantes e a disponibilidade da palestrante.

Responsável pela apresentação, Virgília Oliveira Pani é graduada em Nutrição, mestre em Nutrição e Saúde pela UFES e especialista em Nutrição Clínica e Esportiva. A profissional atua na área clínica e na docência desde 2017, mantendo atendimento em Guaçuí. Sua abordagem profissional valoriza a alimentação equilibrada, o emagrecimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida, sem recorrer a dietas excessivamente restritivas. Durante o encontro, a nutricionista relacionou esses conhecimentos aos mecanismos pelos quais determinados hábitos podem influenciar os riscos associados ao desenvolvimento do câncer de mama.

Um dos pontos abordados foi a distinção entre fatores de risco modificáveis e não modificáveis. Enquanto características como idade, predisposição genética e determinados fatores hormonais não podem ser alteradas por mudanças no comportamento, outras condições estão relacionadas ao estilo de vida. Entre elas estão o excesso de peso corporal, a inatividade física e o consumo de bebidas alcoólicas. A compreensão dessa diferença é importante porque permite reconhecer as possibilidades de prevenção sem transmitir a ideia equivocada de que o desenvolvimento da doença depende exclusivamente das escolhas individuais.

Ao comentar o conteúdo apresentado, a palestrante explicou que a alimentação saudável pode contribuir para a redução de riscos especialmente por sua relação com o controle do peso corporal. O excesso de gordura, segundo a nutricionista, está associado a alterações metabólicas e hormonais, incluindo processos inflamatórios, resistência à insulina e aumento dos níveis de estrogênio, fatores que podem participar dos mecanismos relacionados ao desenvolvimento de determinados tipos de câncer. “Manter o peso dentro da normalidade não é questão de estética, é principalmente questão de saúde”, ressaltou.

A explicação apresentada pela nutricionista encontra respaldo nas orientações do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que identifica o excesso de peso, a inatividade física e o consumo de bebidas alcoólicas entre os fatores modificáveis associados ao câncer de mama. A adoção de uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividades físicas e a manutenção de um peso corporal saudável integram as principais recomendações de prevenção primária. Essas medidas não eliminam a possibilidade de desenvolvimento da doença, mas podem contribuir para a redução do risco ao longo da vida.

Outro assunto destacado por Virgília foi o consumo de bebidas alcoólicas. A nutricionista alertou para a relação entre a ingestão de álcool e o aumento do risco de desenvolvimento de câncer, defendendo mudanças que favoreçam a saúde. A recomendação também aparece entre as orientações do INCA. A discussão reforçou a importância de considerar os hábitos de vida de maneira conjunta, evitando soluções isoladas ou promessas de proteção absoluta contra a doença.

Na parte dedicada à alimentação, Virgília defendeu a valorização de alimentos naturais ou minimamente processados e mencionou o padrão alimentar mediterrâneo como referência de uma dieta equilibrada. A proposta envolve priorizar alimentos como frutas, verduras, legumes e outros produtos que contribuam para a qualidade nutricional das refeições, ao mesmo tempo em que se reduz a presença de ultraprocessados no cotidiano. Ao resumir essa orientação, a palestrante utilizou uma expressão conhecida na educação alimentar, “descascar mais e desembrulhar menos”, para incentivar escolhas alimentares mais saudáveis e conscientes.

Ao avaliar o resultado do encontro, a nutricionista manifestou satisfação com a oportunidade de compartilhar seus conhecimentos com as participantes. “Foi uma honra estar com vocês, juntamente com a Comissão da Mulher Advogada, falando um pouco sobre a alimentação e o câncer de mama”, afirmou em declaração após a apresentação.

A palestra recebeu manifestações positivas de integrantes da 6ª Subseção da OAB-ES nas horas seguintes à sua realização. A advogada Danielle Leite Freitas, conselheira da instituição, destacou, por exemplo, a objetividade das orientações apresentadas e parabenizou a organização. “Parabéns pelo trabalho na Comissão da Mulher Advogada. A palestra foi objetiva, alertando e orientando. Foi excelente”, escreveu, em mensagem publicada no grupo de WhatsApp da Subseção na noite desta quinta-feira.

A avaliação foi compartilhada pela advogada Luana Sales Marinho Evaristo Coelho, tesoureira da 6ª Subseção, que agradeceu pela realização da atividade. “Verdade! Foi muito boa! Obrigada por nos proporcionar momentos como esse!”, comentou. A presidente da Comissão da Mulher Advogada também agradeceu as manifestações recebidas e destacou o conteúdo apresentado. “Foi uma palestra realmente muito rica em conhecimento para todos nós”, afirmou Milena Villas-Bôas Deps. O presidente da 6ª Subseção, o advogado Luiz Bernard Sardenberg Moulin, também registrou uma mensagem de reconhecimento ao trabalho da presidente da CMA.

A realização do encontro representou a continuidade de uma campanha iniciada pela Comissão da Mulher Advogada no começo de outubro. No último dia 5, o colegiado divulgou uma publicação em suas redes sociais em apoio ao “Outubro Rosa”, destacando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce dos cânceres de mama e do colo do útero. Posteriormente, no dia 13, Milena anunciou oficialmente a palestra e convidou as advogadas da região a participarem. A programação também foi aberta a convidadas, ampliando a possibilidade de participação de mulheres da comunidade.

Com a realização do evento desta quinta-feira, a CMA encerra mais uma atividade de sua programação de Outubro Rosa, reforçando a importância de transformar campanhas de conscientização em oportunidades concretas de acesso à informação. As orientações apresentadas pela palestrante Virgília Oliveira Pani e as manifestações registradas após o encontro ressaltaram uma preocupação compartilhada pelas participantes e pela organização. Em meio às exigências profissionais e às responsabilidades cotidianas, reservar tempo para a própria saúde, reconhecer fatores de risco e buscar orientação adequada são cuidados que precisam permanecer presentes durante todo o ano, e não apenas no mês dedicado à prevenção do câncer de mama.