O desfecho das buscas pelo advogado Antônio Carlos Veiga de Freitas, de 27 anos, trouxe à tona, nesta quarta-feira (29), o pior cenário temido por familiares, colegas e autoridades. O corpo do jovem criminalista, vinculado à 6ª Subseção da OAB-ES, foi encontrado em uma área de mata em Vila Velha, encerrando uma mobilização que, por dias, uniu a advocacia regional em torno de um nobre esforço coletivo de esperança.
A confirmação foi feita após quatro dias de buscas intensas iniciadas ainda no domingo (27), quando o advogado foi dado como desaparecido após participar de um evento de música eletrônica na região da Barra do Jucu. Desde então, a ausência de respostas concretas e a sucessão de relatos desencontrados ampliaram o clima de apreensão, até a localização do corpo por equipes envolvidas nas diligências.
De acordo com informações apuradas, o corpo foi encontrado por volta do fim da manhã em uma área de vegetação próxima ao local onde ocorreu o evento. As circunstâncias da morte ainda permanecem sob investigação, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Vitória, onde serão realizados exames periciais para determinar a causa do óbito. Relatos iniciais indicam que não havia sinais aparentes de violência, embora a conclusão dependa de laudos técnicos oficiais.
O caso remonta ao último fim de semana, quando Antônio Carlos participou de uma festa iniciada no sábado (25). Segundo informações reunidas por familiares e autoridades, ele se afastou do grupo após relatar a perda da chave do carro. O veículo foi posteriormente localizado no estacionamento do evento, com celular e documentos pessoais no interior, elementos que, desde o início, contribuíram para elevar o grau de preocupação em torno do desaparecimento.
Nos dias seguintes, testemunhas afirmaram tê-lo visto caminhando em áreas próximas à rodovia que liga Vila Velha a Guarapari, incluindo a região do pedágio da Rodovia do Sol. Essas informações passaram a integrar as linhas de investigação da Polícia Civil, que mobilizou equipes especializadas, para tentar reconstruir os últimos movimentos do advogado.
A mobilização extrapolou o âmbito policial. A advocacia da região do Caparaó, especialmente nos municípios de Guaçuí, Dores do Rio Preto, Apiacá, Bom Jesus do Norte, Divino de São Lourenço e São José do Calçado, organizou uma rede informal de buscas e compartilhamento de informações, impulsionada por grupos de mensagens e pelo engajamento institucional da Ordem. O portal OAB Guaçuí havia publicado ontem uma reportagem detalhando o desaparecimento e os esforços em curso.
O presidente da 6ª Subseção, Luiz Bernard Sardenberg Moulin, que nesta terça-feira expressara expectativa por um desfecho positivo, confirmou na tarde de hoje (29) a morte com uma declaração marcada por forte comoção. “A 6ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Espírito Santo, com profundo pesar, lamenta o falecimento do advogado Antonio Carlos Veiga de Freitas, jovem criminalista, aos apenas 27 anos de idade”, afirmou. Em nota, destacou ainda a trajetória interrompida “de forma dolorosa”, ressaltando a dedicação do advogado à advocacia criminal e o compromisso com a profissão.
“A partida precoce causa intensa comoção em toda a advocacia regional e em todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Antonio Carlos parte deixando enlutados sua esposa, sua filha ainda pequena, familiares, amigos e colegas de profissão, interrompendo de forma dolorosa uma trajetória que se mostrava promissora, marcada pela juventude, dedicação à advocacia criminal e pelo compromisso com o exercício da profissão. Neste momento de dor, a Presidência da 6ª Subseção da OAB/ES se solidariza com os familiares e amigos, rogando a Deus que conceda força, consolo e serenidade para enfrentar tão irreparável perda”, destacou o presidente Luiz Moulin.
A diretoria e o conselho da subseção também divulgaram nota de pesar, reiterando o impacto da perda sobre a comunidade jurídica local e decretando luto oficial de três dias. Entre os advogados da subseção, as manifestações refletiram não apenas tristeza, mas também a memória recente da mobilização coletiva. “Neste momento de profunda tristeza, solidarizo-me com a dor dos familiares e amigos. Ressalto, porém, que a união de todos na busca pelo nosso colega, Dr. Antônio, foi algo bonito de ver e de sentir. Que Deus, em sua infinita bondade, o receba em Sua morada eterna”, afirmou a advogada Nacibe Huarde Ribeiro Cade, destacando o esforço conjunto que marcou os dias de incerteza. Outros colegas, em mensagens compartilhadas, ressaltaram o impacto humano da perda, descrevendo o advogado como amigo e profissional respeitado. “Hoje é um dia de luto, perdemos um amigo e um grande advogado”, declarou o advogado Cristiano Machado.















