Advocacia do Caparaó marca presença em Congresso

Delegação da 6ª Subseção da OAB-ES participa, nesta sexta-feira (15), de evento jurídico em Cachoeiro de Itapemirim

Enquanto os painéis da tarde seguem em andamento no auditório da Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim (FDCI), uma delegação de advogadas e advogados da 6ª Subseção da OAB-ES transforma a participação no I Congresso da Advocacia Sul Capixaba em uma demonstração concreta de mobilização regional da advocacia do Caparaó. Representando municípios como Guaçuí, Dores do Rio Preto, Apiacá, Bom Jesus do Norte, Divino de São Lourenço e São José do Calçado, o grupo está em Cachoeiro de Itapemirim desde o início da manhã desta sexta-feira (15), acompanhando debates sobre inteligência artificial, provas digitais e os impactos da transformação tecnológica na prática jurídica.

A presença da comitiva foi viabilizada após um pedido da presidência da 6ª Subseção à presidência da Seccional. Para assegurar o deslocamento de parte dos inscritos até Cachoeiro, a OAB-ES disponibilizou uma van que saiu DE Guaçuí pouco depois das 6h levando profissionais inscritos naquele que se estima está sendo um dos maiores encontros jurídicos já promovidos na região sul do Espírito Santo.

O gesto logístico tem peso simbólico para advogados que atuam longe dos grandes centros e frequentemente enfrentam dificuldades para acessar eventos presenciais de atualização jurídica. No auditório da FDCI, essa percepção aparece de forma recorrente nos relatos de integrantes da delegação da 6ª Subseção, que veem no congresso uma oportunidade muito bem-vinda de qualificação técnica sem a necessidade de deslocamentos para capitais como Vitória, Rio de Janeiro ou São Paulo.

A tesoureira da 6ª Subseção da OAB-ES, a advogada Luana Sales Marinho Evaristo Coelho, afirmou ao portal OAB Guaçuí, durante o início da tarde desta sexta-feira, que sua principal motivação para participar do evento foi “aperfeiçoar conhecimentos”. Entre os painéis do congresso, ela afirma que aguardava com maior expectativa o debate sobre os desafios da advocacia na era digital.

A advogada relatou que os impactos da inteligência artificial já fazem parte da rotina dos escritórios da região. Questionada se sua atividade profissional já havia sido afetada por essas transformações, respondeu de forma direta: “Sim, sem dúvida”. Segundo ela, uma das prioridades após o congresso será aplicar ferramentas de inteligência artificial voltadas à organização funcional dos processos e à gestão do escritório.

Luana também descreveu uma realidade comum entre profissionais do interior: o acesso limitado à formação presencial. “Praticamente só online, presencialmente esporadicamente”, afirmou ao comentar as dificuldades enfrentadas por advogados fora dos grandes centros jurídicos. Para ela, a Ordem deve ampliar iniciativas semelhantes em outras regiões do Estado.

A secretária-geral da subseção, a advogada Karlla da Silva Faria, faz avaliação semelhante. Ela afirma que decidiu participar do congresso porque considera inevitável a adaptação da advocacia ao avanço da inteligência artificial. “A minha maior motivação para a inscrição no congresso é o avanço no uso da inteligência artificial como ferramenta no nosso trabalho, então é necessário se especializar”, declarou.

Karlla afirma que os reflexos da modernização do Judiciário já são percebidos diariamente pelos profissionais do interior. “Com as altas demandas, a modernização do Judiciário, sentimos a todo tempo o impacto da IA”, afirmou. Segundo ela, o desafio adicional está justamente em acessar capacitação qualificada. “Para nós do interior, temos que ir em busca dessa qualificação. Não temos acesso facilitado, nossa busca é mais desafiante.”

Enquanto a programação da tarde avança na FDCI, a delegação da 6ª Subseção circula entre painéis, troca contatos e acompanha discussões que devem impactar diretamente a rotina da advocacia regional nos próximos anos. Mais do que presença institucional, o grupo transforma a participação no congresso em um recado: a advocacia do interior quer estar no centro das discussões sobre o futuro da profissão e está disposta a percorrer a distância necessária para isso.